Sempre trabalho com a leitura de D. Quixote
no 7° ano. A obra, por questões diversas, que leio com a garotada é uma
adaptação. Quando ano após ano retorno ao livro máximo de Cervantes e da
literatura espanhola, há certamente uma nova experiência à minha espera.
Ontem iniciei com os alunos a leitura
das aventuras desse louco sensato cavaleiro. Discussões iniciais sobre o romance
já compensaram bastante o trabalho.
Inicialmente, as proezas vividas por
Quixote e seu fiel Sancho Pança já nos provocam uma reflexão aparentemente
simples, mas reveladora de uma complexidade enorme. É fácil separar o real da
fantasia? Devemos ter fantasias? Quais delas nos servem? Quais delas são moinhos
de vento que nos desafiam hoje e ontem?
Ler continua sendo, há tempos, uma
forma prazerosa e muito construtiva a nossas inúmeras caminhadas. Os abruptos e
suaves caminhos podem ser trilhados ao lombo do Rocinante quixotesco ou do asno
paciente de Sancho. Quem escolhe é o leitor.
Muito nos promete a leitura dessa adaptação
de D. Quixote. Meu entusiasmo para reler o livro não é diferente da primeira
vez que li a obra. Para mim, é uma eterna revelação o Quixote.
Avancemos já contra os gigantes
moinhos de vento tão diversos e presentes aqui fora!
Vitor Miranda

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