sábado, 18 de julho de 2015

O sermão e o Cunha

            A resignificaçao dos sermões barrocos de Padre Vieira, mais de quatro séculos depois, é espantosa. Um de seus textos mais líricos, belos e reflexivos é o sermão de Santo Antônio. Resumidamente, trata-se da pregação àqueles que podem mas se recusam a ouvir, consequentemente, o orador troca seu público para os que ouvem-no. Nesse sermão Antônio deixa de pregar aos homens e vai pregar aos peixes. Estes têm o dom de apenas ouvir e não falar. Aqueles podem ouvir e falar, entretanto não fazem questão de ouvir ensinamentos.
            Pois bem, dada a recente denúncia de corrupção contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, há manifestações interessantes no universo de comentários na internet. Há muitos que ignoram as denúncias não querendo ouvir as suspeitas de corrupção contra seu líder conservador, retrógrado. Comportam-se como os homens do sermão, quando deveriam ser os peixes e não nadar contra o bom senso. Ora, se a denúncia os faz suspeitar de um, a outra denúncia não deveria ter tratamento distinto. Isso é desonestidade intelectual e política.
            Viera continua sendo fundamental leitura e releitura por aqui.

Vitor Miranda

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